Moliço

O moliço, nome vulgar que abrange, sem distinção de espécies, as algas marinhas constituem a vegetação que cresce submersa nas águas dos sapais.

Moliço - O que é e para que serve?

Conjunto de algas marinhas, mas, do ponto de vista botânico, é formado por algas dos géneros Enteromorpha, Ulva e Ceramium, e algumas plantas aquáticas superiores do grupo das Monocotyledoneas como Zostera marina, Zostera noltii e Potamogeton pectinatus, e as espécies Ruppia cirrhosa e Ruppia maritima.

As zonas cobertas pelo moliço, possuem elevada importância ecológica, por constituírem abrigo para juvenis de espécies piscícolas, serem fonte importante de produção primária e servirem como acumuladores de energia e nutrientes. Além disso a vegetação submersa estabiliza os sedimentos do fundo, retira energia às correntes de maré e diminui a turgidez da água.

VER MAIS

| Dissertação Mestrado Luís Silva, 2015 (Avaliação do potencial dos extratos de algas marinhas Sargassum muticum e Ascophyllum nodosum (Phaeophyceae) como fertilizante agrícola - ver aqui) |

| “XI Simpósio Ibérico sobre a Bacia Hidrográfica do Rio Minho” (Dimítri de Araújo Costa) - ver aqui

No que diz respeito ao seu aproveitamento agrícola, o moliço foi um importante recurso das gentes ribeirinhas, que até ao fim da década de 50 praticavam a sua colheita em quantidades que excediam as 200 mil toneladas por ano (Silva,1985). Nos dias de hoje, a apanha de moliço está próxima da extinção, tendo-se verificado o seu declínio ao longo do século XX.

Porque desapareceu a apanha do Moliço?

Em tempos, era vulgar encontrar-se na Ria de Aveiro barcos moliceiros que navegavam para apanha do moliço. Esta atividade foi progressivamente decaindo, devido fundamentalmente a três factos:

- Alterações sócio-económicas;
- Diminuição da área de distribuição do moliço;
- Aparecimento dos adubos químicos.

Toda esta evolução veio pôr em risco a existência daqueles barcos a que nos havíamos habituado. Além disso, a falta da apanha do moliço começou a transformar-se numa catástrofe ecológica. Muitos canais da ria começaram a asfixiar, verificando-se uma diminuição da velocidade das correntes com a consequente aceleração dos fenómenos de deposição dos aluviões transportados pelas águas, originando o assoreamento da Ria.

Como se apanhava o Moliço?

Os aparelhos para a apanha do moliço

Os aparelhos para a apanha do moliço constam, em primeiro lugar, dos ancinhos de arrasto [1], que se compõem de um cabo, geralmente de "pinho", com o comprimento de 4 a 6 metros, e um pente de "carvalho" com o comprimento de 1,50 m por 0,08 m. de altura ao centro e 0,05 m. nas extremidades, provido de 64 dentes de 0,10 m. a 0,12 m. afastados nas pontas 0,02 m. entre si. Duas alças de ferro, com dentes mais curtos, reforçam-no no seu ponto central. Estes ancinhos são fixados obliquamente em ambos os bordos do barco nas amuras e nas alhetas, em número não inferior a dois nem superior a quatro.

VER MAIS | http://ww3.aeje.pt/avcultur/avcultur/DiamDias/moliceiros30.htm |